Holocausto: A importância de “não esquecer”
Por Renata Silva- ljcc06070@icicom.up.pt
Publicado: 28.01.2009
Historiadora Irene Pimentel alerta para as “lições” de uma história que “muito jovens desconhecem”. Dia Internacional das Vítimas do Holocausto foi assinalado ontem.
“É fundamental guardar esse período na memória, ainda que seja dos mais pesados da História”. O aviso é da investigadora Irene Pimentel e surge à passagem dos 64 anos sobre a libertação dos sobreviventes dos campos de extermínio do regime nazi, celebrados ontem, no Dia Internacional das Vítimas do Holocausto.
A data assinala a libertação dos campos de Auschwitz-Birkenau, na Polónia. Entre a Primavera de 1942 e a 27 de Janeiro de 1945, terão ali morrido mais de um milhão de vítimas do Holocausto, na sua maioria judeus, mas também pessoas com deficiência ou pertencentes a minorias étnicas.
Em 2005, a Assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU) decretou que este dia passaria a ser comemorado para lembrar e homenagear as vítimas do Holocausto. Ao JPN, Irene Pimentel realça a necessidade de o mundo “não esquecer estes acontecimentos e ter atenção a outros que contrariam os Direitos Humanos”.
“O Holocausto está mais do que documentado”
A autora de Judeus em Portugal durante a II Guerra Mundial critica as perspectivas revisionistas que negam a existência do Holocausto.
“Os negacionistas aceitam que houve uns campos de concentração e que houve alguns judeus que morreram por causa de doenças, mas negam o extermínio propriamente dito”, revela Irene Pimentel. De acordo com a investigadora, o negacionismo tem “intuitos políticos” e resulta de uma “atitude anti-semita”
Para a vencedora do Prémio Pessoa 2007, “o Holocausto está hoje mais do que documentado em vários depoimentos de pessoas que sobreviveram, bem como na historiografia que explica todo o processo” que culminou no “extermínio industrial” dos judeus.
“Há muitos jovens que não se interessam pelo Holocausto”
Irene Pimentel lamenta ainda que, “apesar da historiografia ser tão importante e tão abundante”, existam “muitos jovens que não sabem ou não se interessam pelo Holocausto“.
Segundo a historiadora, “o problema do Holocausto não é só o que aconteceu, mas também as lições que se podem tirar para o presente e para o futuro”. Até porque “a História constitui um aviso daquilo a que pode levar um novo recrudescimento do racismo e da xenofobia”, remata.
Em comunicado oficial a propósito do Dia Internacional das Vítimas do Holocausto, as Nações Unidas pediram que sejam “analisadas as razões por que o mundo não impediu o Holocausto e outras atrocidades perpretadas desde então”. O documento destaca ainda a importância de “ensinar às crianças as lições dos capítulos mais sombrios da História”.
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